09 de Agosto de 1942 – O Grande Ditador

Tífani Albuquerque | Acervo JCom
09 de Agosto de 1942 – O Grande Ditador
8/08/2011

        Charles Chaplin é considerado por muitos como o maior gênio da sétima arte. Mesmo tendo vivido no início do século XX e produzido a maioria dos seus filmes até 1950, o criador de Carlitos continua sendo comentado, reprisado e endeusado por um enorme número de fiéis seguidores. Não é para menos, suas obras (como "Tempos Modernos", "Em busca do Ouro", "O Garoto", "O Circo", "Luzes da Cidade" e "O Grande Ditador") não perderam seu valor com o passar do tempo, continuam encantando platéias dos quatro cantos do mundo e, acima de tudo, mostraram-se tão grandiosas que suas tramas não se inscreveram apenas como registros do período em que foram feitos os filmes, ultrapassaram essa barreira.

        Em "O Grande Ditador", Chaplin antecipou o fenômeno Hitler na Alemanha, através de uma contundente sátira ao nazi-fascismo e um surpreendente clamor pela paz. Não compreendido pelos americanos acabou tendo que se retirar do país e se estabeleceu na Suíça. Uma grande perda pois, na Europa, tolhido dos meios e dos recursos necessários para seu trabalho e um tanto quanto descrente na indústria e no mundo, sua produção declinou e rareou.

        A trama de "O Grande Ditador" nos revela algumas surpresas como o fato de Chaplin atuar em dois papéis, como o ditador de Tomânia (satirizando a Alemanha e seu Fuhrer) e no de um barbeiro judeu, celebrado como herói na 1ª Guerra e que, anos depois, ao sair do hospital onde ficara em recuperação dos traumas e choques daquele conflito, vê-se como parte de uma minoria perseguida pelas novas autoridades que reinam em seu país.

        Depois de uma breve introdução, a história continua a partir do retorno do barbeiro a seu estabelecimento comercial, numa parte da cidade que foi transformada em gueto, onde todos os judeus foram confinados e vivem em total precariedade. Além das dificuldades materiais e privações, não havia liberdade para que as pessoas que ali viviam pudessem se deslocar de um lado para o outro e, além disso, elas eram vítimas de arbitrariedades e violências praticadas pelos soldados a serviço de Hynkel (leia-se Hitler).

        Enquanto isso, nos gabinetes dos poderosos, o ditador fazia planos e mais planos de conquistar o mundo. É desse filme a célebre seqüência em que Hynkel dança com o globo terrestre em suas mãos numa suave alusão ao desejo de comandar os destinos do planeta. Há várias tiradas no filme que demonstram o quanto Chaplin estava sintonizado com o que ocorria no planeta, nessas seqüências por exemplo, menciona-se o arianismo e a estranha condição do ditador moreno comandando o futuro de Tomânia.

        Outro detalhe interessante se refere a idéia de que uma das principais formas de se obter o apoio do povo se dava a partir da manipulação da opinião pública com o auxílio de propaganda pesada nos meios de comunicação ou com desfiles militares.

        Um outro personagem destacado que aparece nessa trama é um sósia do ditador italiano Mussolini, que também tem pretensões expansionistas. Diferentemente da história, em que os destinos da Itália e da Alemanha se cruzam, os dois líderes são concorrentes e não estão dispostos a se associar.

        A história sofre uma reversão quando Hynkel e o barbeiro judeu trocam de lugar, acidentalmente. Isso abre uma oportunidade sem igual para que os erros do verdadeiro ditador sejam reparados pela ação nobre do pobre e perseguido barbeiro. "O Grande Ditador" se revela no final, numa seqüência antológica, dessas verdadeiramente inesquecíveis, com um discurso de arrepiar os cabelos onde as palavras do personagem se fazem a de todos aqueles que acreditam que o mundo pode e deve viver em paz, equilíbrio e justiça.


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