O índice perdeu o ímpeto na proximidade dos 71.000 pontos. Os dados divulgados na sexta-feira sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos não foram muito animadores, podendo motivar algumas realizações de lucros. É necessário superar a resistência entre 71.000 e 71.250 para visar a máxima histórica nos 73.920. Para baixo, é importante o suporte entre 69.927 e 70.000 pontos. Se perdido, uma correção mais forte poderá buscar os 68.587 e, a seguir, a faixa dos 67.750 pontos. O principal suporte está na faixa de 65.925/40 pontos.
A tendência é sua amiga ou, originalmente: "The trend is your friend". Esta é a regra número um dos mercados. A identificação clara do sentido do movimento dos preços de ativos, a todo instante, é a aliada mais valiosa que qualquer investidor pode ter, enquanto escolhe onde alocar seus recursos. Alguns analistas vêm alertando, há algum tempo, que o mercado acionário brasileiro dá sinais de esgotamento da tendência altista verificada em 2009 e que uma correção mais pronunciada não só seria saudável a esta altura, como estaria prestes a ser iniciada. Outra corrente discorda, argumentando que com recuos menos agudos - que realinham gradativamente os preços dos papéis e são absorvidos sem um maior comprometimento da tendência primária geral de alta - há ainda espaço para avanços significativos. Muitos dos otimistas apontam os 85.000 pontos como o novo alvo de médio prazo para o Ibovespa. Ao investidor individual, fica no ar, então, aquela questão básica: qual a melhor forma de se posicionar, a fim de garantir retornos satisfatórios sem correr riscos descabidos?
Ficar de fora e amargar rendimentos pífios em outras aplicações, enquanto os preços das ações continuam apresentando gordas valorizações, é realmente de doer na alma. Por outro lado, comprar e dar de cara com o mercado voltando, para quem investe a médio e longo prazo, significa contabilizar perdas, por tempo indeterminado.
A grande maioria de analistas, contudo, parece concordar em um ponto: esse ano não será igual a 2009, no que se refere a ganhos com ações. Enquanto o Ibovespa fechou o ano passado com 82,66% de valorização, para 2010, mesmo os mais crédulos na recuperação da economia mundial, na consistência do crescimento brasileiro, bem como na preservação da atratividade dos ativos nacionais, apostam numa alta máxima de 30% do principal índice da bolsa de São Paulo, o que o levaria à casa dos 90.000 pontos. De qualquer maneira, que seja 20%, ainda estaria de bom tamanho, comparando-se às opções de aplicação em renda fixa, com a taxa referencial de juros no atual patamar.
Conforme foi comentado na coluna, reza o consenso que o momento é de se pescar com linha, ou seja, de se escolher papéis de companhias sólidas, com bons fundamentos e cujos ramos de atividade, de preferência, estejam atrelados a setores que estejam puxando o crescimento econômico. As análises fundamentalistas devem também comparar, dentro de um mesmo setor, empresas de países diferentes, podendo-se obter, desta forma, uma melhor noção se o preço do ativo está caro ou barato. Todos esses cuidados devem ser respeitados, é claro, considerando-se que a hora ainda é boa para se aplicar (ou manter) os recursos em ações, tendo-se em vista o médio ou longo prazo.
Fato é que, agora, os mais importantes mercados acionários do mundo ainda são touros. Embora as tendências primárias (tendência mais longa, com duração acima de seis meses) sejam altistas, os principais índices destes mercados perderam o ímpeto e praticamente andaram de lado em dezembro. Em momentos assim, é tentador pensar que o ciclo de valorização irá ruir e que quem estiver comprado ficará de sacola na mão.
Quando uma tendência primária se instaura, no entanto, o ciclo não se encerra tão facilmente. Historicamente, elas tendem a durar pelo menos 18 meses, sendo comum perdurarem por três ou quatro anos. No Brasil, contudo, muita gente incorreu em perdas gigantescas na bolsa no passado, justamente por comprar (ou mesmo segurar) papéis quando o otimismo estava no auge.
Não apenas esses investidores escaldados, como diversos outros de grande porte, vêem em situações como a atual uma oportunidade para abandonar o barco, embolsando os expressivos lucros auferidos até então. Afinal, o velho lema que rege o sucesso dos vencedores é mais que sabido: "comprar na baixa e vender na alta". Difícil é seguí-lo, já que, se não for em ações, onde valeria à pena depositar as fichas neste momento? Ademais, até onde poderá se estender a alta?
Para quem não vai ficar comprando e vendendo diariamente (operando no day trade), algumas estratégias bastante simples são aplicáveis na atual conjuntura. Aliás, simplicidade e disciplina são qualidades mais que oportunas, dado o cenário que se apresenta neste começo de 2010.
Considerando-se que o desempenho de papéis deve ser mais diferenciado a partir de agora, uma boa opção para aqueles investidores que não querem se debruçar sobre análises individuais são os fundos que reproduzem índices, com cotas negociadas em bolsa. Os Exchange Traded Funds (ETFs) procuram replicar a composição e, consequentemente, a variação de determinados índices. A maioria dos especuladores de renome atesta que ganhos realmente significativos são conseguidos nos movimentos como um todo, não em papéis individuais. Não é à toa que grande parte dos estrangeiros que por aqui aporta prefere operar os índices, seja neste tipo de fundos, ou em contratos na BM&F.
Apostar na escalada de índices e manter-se comprado durante as fases corretivas ou estagnantes, desde que a tendência primária de alta não seja violada, é uma estratégia eficaz e que não dá maiores trabalhos. Dos ETFs disponíveis na bolsa brasileira, o que reproduz a composição do Small Caps - o SMAL11, com empresas de 2a e 3a linhas - foi o que mais se valorizou em 2009 (com 130% de ganhos). Isso se deve ao fato de que a maioria dos papéis que o compõem - que teoricamente envolvem mais riscos - foi derrubada ao chão durante o auge do impacto da crise financeira. O espaço para valorização era enorme. Além disso, conforme explicado recentemente na coluna, durante a primeira fase do ciclo de um mercado touro (no que diz respeito às taxas referenciais de juros), é comum que a grande maioria dos papéis suba com furor, já que o apetite dos investidores por risco atinge o clímax.
Na segunda etapa do ciclo de um mercado touro - ou altista - (que poderia estar sendo iniciada agora), o que se aguça, historicamente, é a seletividade. Segundo esse critério, então, a opção pelo BOVA11 (que segue o Ibovespa), pelo PIBB11 (atrelado ao índice IBrX-50) ou mesmo pelo MILA11(que simula o índice MidLargeCap) seria mais prudente.
Qualquer que seja a escolha, uma vez efetuada a compra, a estratégia consiste em segurar a posição, enquanto a tendência primária permanecer forte. Não se trata de comprar e esquecer. Enquanto o índice estiver sendo negociado acima das médias móveis de sete e doze meses, por mais de dois meses consecutivos, pode-se considerar que a tendência primária é forte. (ver quadro abaixo)
Observando-se o gráfico do Ibovespa, percebe-se que o índice vem sendo negociado há oito meses acima das duas médias móveis (7 e 12). De acordo com o critério descrito, enquanto ele se mantiver assim, não há riscos imediatos. Para quem estiver comprado, então, se o índice cruzar para baixo de ambas, a atitude mais precavida seria vender o mais rápido possível e aguardar uma nova sinalização de compra (cruzamento do preço presente para cima das médias) para entrar novamente - lembrando que a ultrapassagem do preço do ativo pela média de sete períodos já constitui um sinal relevante. Posteriormente, o cruzamento sobre a média de 12 períodos é uma confirmação da inversão de tendência. Há ainda a ultrapassagem da média de sete por sobre a de doze, que é considerado mais um indicador reafirmando o sentido do movimento.
Para quem quer garantir a saída mediante a configuração de um sinal de venda mais forte, sem estar acompanhando o mercado assiduamente, convém fazer uso de ordens stop. Desta maneira, o investidor que está posicionado a mais tempo estaria protegendo seus lucros. É importante ir reajustando as stop conforme o mercado se move. No caso da tendência altista, a ordem stop de venda deveria ser colocada pouco abaixo da média móvel de sete meses ou, para aqueles dispostos a esperar um pouco mais, abaixo da de doze meses. A média móvel de dez meses (intermediária) também é comumente utilizada. Já aqueles que entraram mais recentemente, eles estariam, pelo menos, evitando o risco de amargarem perdas maiores (ou mais duradouras), no caso de uma inversão da tendência. Seguindo-se a estratégia, a hora de comprar de novo seria percebida quando o preço do índice escolhido (ou de qualquer ativo analisado) cruzasse para cima as médias de sete e doze meses (ou de dez) e ainda, para os mais cautelosos, quando a média de sete atravessasse a de doze meses.
Média móvel é um indicador que mostra o valor médio de um ativo durante um período de tempo. A média aqui referida é a média simples (ou aritmética), considerando-se o preço de fechamento. A forma mais popular de se utilizar este indicador é comparar a média móvel do preço do ativo com o preço atual do ativo. Um sinal de compra acontece quando o preço do ativo cruza para cima de sua média móvel. Similarmente, um sinal de venda é gerado quando o preço cai abaixo de sua média móvel. Quanto maior o período da média, mais lentamente a média se move. Inversamente, quanto mais curto o período, mais sensível se torna a média e mais rapidamente ela se desloca.
O método de análise baseado em médias móveis não se destina a colocar o investidor exatamente no fundo (ao comprar) ou no topo (ao vender) de um movimento. Ele é concebido para manter o seu seguidor
em linha com a tendência do ativo, comprando-o pouco depois do preço atingir um fundo, ou vendendo-o pouco após ele ter batido num topo.
Considerando-se o investidor de longo prazo, vários autores sugerem as médias de sete e de doze meses. No caso de correção mais acentuada ou inversão de tendência, o preço do ativo atravessará primeiramente para baixo da média de sete meses e depois, para baixo da de doze. A de sete, neste caso, serve como um sinal amarelo. Já a de doze funciona como a confirmação, a luz vermelha. Outro fato que solidifica a confiança na tendência é o cruzamento da linha de sete meses sobre a de doze. Quando a linha da média de sete meses atravessa a linha de doze meses para baixo, é um reforço do sinal de venda. Quando a cruza para cima, por conseguinte, fortalece o sinal de compra.