RIO - As ações ligadas a commodities foram o grande destaque no Ibovespa na semana passada e devem continuar a conduzir os principais movimentos da bolsa brasileira nesta semana. Os papéis de empresas ligadas à mineração marcaram forte presença nas primeiras posições do ranking de valorizações, com expressivos avanços para Vale ON (7,63%, a R$ 54,30), MMX ON (6,87%, a R$ 14), Vale PNA (6,52%, a R$ 47,35) e Bradespar PN (6,64%, a R$ 42,05).
André Mello, analista da TOV Corretora, avalia que o minério de ferro terá valorização de 70% até o final do ano. Ele acrescenta que o rali das mineradoras na sexta-feira teve como gatilho rumores de que a Vale tem negociado aumento acima de 90% para a matéria-prima este ano em um acordo com a siderúrgica japonesa JFE Steel. Se o contrato for realizado, ele avalia que poderá motivar outras mineradoras a fazerem, também, altos reajustes para a commodity.
Ainda entre as commodities, Fibria ON saltou 10,23% (a R$ 36,32), marcando o maior avanço da semana. A companhia teve altas em sequência depois de ter reajustado o preço da celulose na segunda-feira. Para Mello, no entanto, o setor não é uma boa aposta no curto prazo porque a China está bem estocada, o que já começa a influenciar na depreciação da celulose.
Com a descoberta de mais indícios de hidrocarbonetos, somada à apreciação do petróleo no mercado internacional no último pregão da semana, OGX ON acumulou acréscimo de 6,1% (a R$ 16,71) em seu preço de negociação. Para o analista da TOV, o preço do barril estará cotado a U$S 100 em dezembro, ancorado na aquecida demanda global pela matéria-prima. Isso abriria espaço para a valorização dos papéis tanto da OGX quanto os da Petrobras.
Já a Cosan ON declinou 4,97% (a R$ 22,37). De acordo com André Mello, as recentes medidas do governo de forçar a redução do preço do álcool têm tirado a atratividade das ações da sucroalcooleira, o que ainda é agravado pela queda nas cotações do açúcar no mercado internacional, após os picos de fevereiro.
As ações de aviação fincaram as primeiras posições no ranking de baixas: TAM PN recuou 5,49% (a R$ 31,65) e GOL PN declinou 3,46% (a R$ 23,70). Na terça-feira, o Citigroup reduziu os preços-alvo para os ADRs (American Depositary Receipts) de ambas. O banco considera os papéis arriscados por conta da grande incerteza na regulação do setor aéreo brasileiro e da alta volatilidade nos ganhos, em relação às flutuações cambiais e às posições de hedge na aquisição dos combustíveis, além dos yields (relação entre o dividendo pago por ação de uma empresa e o preço dessa mesma ação) pouco atraentes.
Na construção civil, MRV ON cedeu 1,07% (a R$ 12,96). A possibildade de alta nos juros pode estar começando a afastar investidores do setor, segundo o analista.
André Mello avalia que a Bolsa continuará bastante volátil, mas que continua sendo um boa opção de investimento, porque as commodities – que têm grande fatia de participação nela – permanecerão em alta.
"Como os EUA imprimiram muito dólar para o enfrentamento da crise, ainda há abundância de moeda americana no mercado, o que contribui para o aumento no preço das matérias-primas para exportação."