O primeiro semestre de vendas no comércio varejista da região metropolitana de São Paulo registrou aumento de 6,3% na comparação com o mesmo período do ano passado, uma das mais elevadas porcentagens dos últimos anos.
Segundo os dados da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio) de janeiro até maio de 2010, as taxas mensais de crescimento vinham se mostrado expressivas, superando a média de 9%, índice recorde nesse período, resultante em parte da fraca base comparativa de 2009.
Entre as atividades pesquisadas pela PCCV, seis mostraram índices positivos de vendas no semestre, com os melhores desempenhos por conta de Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos (17,7%), Vestuário, Tecidos e Calçados (11,7%) e Farmácias e Perfumarias (11,2%). As Lojas de Móveis e Decorações (8,5%), Comércio Automotivo (6,9%) e Supermercados (0,4%) fecham o bloco dos grupos com alta no semestre.
As exceções aos resultados positivos registrados em todo o varejo ficaram por conta das Lojas de Departamentos e Lojas de Materiais de Construção, que registraram no semestre queda de vendas em seus movimentos de -1,9% e -2,1%, respectivamente.
Em junho, as vendas no comércio varejista acusaram pela primeira vez no ano uma queda de 6,8% ante o mesmo período do ano passado, fortemente afetada pela redução nos números apresentados pelo setor de Comércio Automotivo.
O setor obteve taxa negativa de 26,2% em relação a junho do ano passado e foi decisivo para a magnitude do índice geral negativo, porém já era previsível, como efeito "ressaca" do grande movimento observado há meses no segmento, principalmente considerando a forte base de comparação do ano passado em decorrência da isenção/redução do IPI para carros novos.
Segundo a assessora econômica da Fecomercio, Kelly Carvalho, os bons resultados de vendas registradas no primeiro semestre se deram em função dos determinantes do consumo que permaneceram positivos no período. "A confiança do consumidor se manteve elevada graças ao crédito em forte expansão, além do crescimento do emprego e renda na região metropolitana de São Paulo."
Os dados do IBGE, mostram quedas sucessivas na taxa de desemprego ao longo do segundo trimestre na RMSP, atingindo em junho seu menor nível histórico (7,4%). Por outro lado, o rendimento médio no período foi cerca de 1,3% menor do que no ano passado, fazendo com que a massa de salários se mantivesse nos mesmos patamares, em termos reais, do primeiro semestre de 2008.
Por outro lado, a oferta de crédito mostrou forte avanço ao longo do primeiro semestre, tendo ultrapassado meio trilhão em volume total para pessoas físicas em maio, cerca de 25% do Consumo das Famílias apurado nas Contas Nacionais, segundo dados do Banco Central.
A concessão, apenas nesse período, cresceu 21% em relação ao 1º trimestre do ano passado, ao mesmo tempo em que o prazo médio aumentou em 8%.
"Esses dados expressivos do crédito justificam o excepcional desempenho do consumo de bens duráveis no primeiro semestre de 2010, dado que a renda permaneceu praticamente estável", ressalta Kelly.
Como consequência disso, observam-se os primeiros sinais de forte aumento nos níveis de endividamento das famílias, principalmente nas faixas de menor renda, estimuladas pelo acesso cada vez mais fácil ao crédito.
Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) de julho mostram um aumento de 10% no endividamento das famílias com ganhos até 10 salários mínimos na comparação com junho. "Muito embora ainda não permitam conclusões seguras, podem ser indício de um processo de desaceleração nas taxas de crescimento nas vendas do varejo."
As pressões inflacionárias não devem gerar repercussões mais graves, dado que as autoridades monetárias estão atentas e determinadas a impedir reflexos mais amplos e danosos, e com isso, a renda e o emprego tendem a permanecer positivos, ainda que de forma moderada.
Por enquanto, considerando o cenário acima, o desempenho das vendas varejistas em 2010 tende a mostrar resultado positivo em relação ao ano passado, com taxa de crescimento ao redor de 6%.