O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já autorizou empréstimos de R$ 8 milhões para micro, pequenas e médias empresas da região serrana do estado do Rio, castigada pelas chuvas em janeiro deste ano. Até esta quarta-feira (08), 53 operações de financiamento haviam sido aprovadas na linha de crédito de R$ 400 milhões criada para os sete municípios fluminense que decretaram situação de calamidade pública.
Uma das empresas beneficiadas foi a RFid Brasil, que vende equipamentos de gerenciamento e segurança de bibliotecas, com um crédito de R$ 27 mil. Segundo o ouvidor da empresa, Jorge Abrunhosa, a RFid, mesmo não sendo atingida pelas enxurradas, foi bastante afetada pela tragédia, amargando um prejuízo de 30% no volume de negócios. “Ficamos sem funcionar porque ficamos sem funcionários, sem transporte, sem telefonia e sem rede de internet. Ficamos uma semana sem funcionar e outra funcionando de forma precária”, disse ele.
Abrunhosa informou que os 12 funcionários da empresa ainda sentem as consequências da tragédia. “Alguns tiveram que sair de suas casas e ir para outros lugares. Há um certo desânimo entre eles. Esse empréstimo pode servir para dar uma reerguida na empresa”, disse.
Hoje está sendo promovido hoje (9) em Nova Friburgo o Feirão SOS Empresas, um mutirão para tirar dúvidas de micro, pequenos e médios empresários sobre pedidos de financiamentos, problemas trabalhistas, tributários, ambientais e documentais, entre outros. Participam do mutirão instituições públicas e privadas, como BNDES, Banco do Brasil, bancos privados, as federações estaduais das Indústrias (Firjan) e do Comércio (Fecomércio-RJ), autoridades ambientais, juntas comerciais e as receitas Federal e Estadual.
Diretor industrial da empresa CBS Embalagens, de Bom Jardim, Rodrigo Mesquita procurou o feirão para tentar acelerar o processo de licenciamento ambiental de operação da empresa, que está emperrado há um ano no Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Ele aproveitou para saber como conseguir empréstimos baratos para investimento e capital de giro. “A chuva nos afetou indiretamente, porque provocou danos na infraestrutura local. O acesso a Barra Alegre, onde fica a nossa empresa, ficou fechado por seis dias. Também tivemos problemas com a telefonia, que ficou prejudicada”, disse o diretor da empresa, que tem 130 funcionários.
Já a consultora de moda Heloísa Stroligo, que tem uma oficina de costura, quis saber como poderia recuperar o prejuízo de R$ 500 que teve quando perdeu todo o material que tinha para produzir as roupas. “O material estava na casa da costureira, que foi derrubada com as chuvas. Então, perdi tudo o que tinha investido. Tenho que me recapitalizar”, disse.
Os maiores volumes de operações aprovadas e contratadas estão nas cidades de Nova Friburgo e Petrópolis, com 21 contratos aprovados cada. O BNDES ainda analisa seis operações de crédito, no valor de R$ 6,3 milhões.