O presidente do Conselho de Administração da BM&FBovespa e ex-presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, cobrou que haja maior volume de investimentos para sustentar o crescimento da economia brasileira e disse que o setor privado deveria aumentar sua participação no aporte de recursos, para suprir a carência deixada pelo governo. Segundo o economista, apesar da presidente Dilma Rousseff ter optado por manter um estado grande, os investimentos estatais são de apenas dois pontos percentuais Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
"Incluindo-se a parcela aportada por instituições privadas, a taxa chega a cerca de 18% do PIB nacional, o que é certamente insuficiente para atingir o índice de crescimento econômico que gostaríamos de ter (algo em torno de 5% a 6%) e provavelmente não será bastante nem mesmo para assegurar os 4,5% que estamos projetando para este ano", disse ao participar, nesta terça-feira (17), do 23° Fórum Nacional, presidido pelo ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso.
Na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), onde o evento está sendo realizado, Fraga afirmou que o plano de desenvolvimento do Brasil precisa ainda ser melhor definido e executado. Ele elogiou o avanço das instituições privadas na adoção de políticas de governança corporativa e eficiência. "O empresariado local já percebeu que é possível atrair mais investimentos, a partir de um sistema de gestão bem organizado e transparente", disse o executivo, que foi presidente do BC durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.
Em seguida, o economista ressaltou que tais práticas administrativas deveriam se alastrar por toda a esfera pública, com o objetivo de melhorar o controle e a análise dos resultados das entidades estatais. Para ele, é preciso criar um ambiente no qual as instituições brasileiras possam se fortalecer e, assim, conseguir acomodar a expansão econômica. "Nesse sentido, a concessão de aeroportos para a iniciativa privada é bem vinda", disse, salientando o desejo de que a medida se espalhe para outros segmentos da economia.
Fraga também se disse favorável aos sinais que o governo Dilma tem mostrado de apostar em um sistema de administração pública baseado em meritocracia e com foco em qualidade de gestão. "Independentemente do tamanho do Estado – se pequeno, como nos Estados Unidos, ou grande, como os da Escandinávia – não há país desenvolvido com gestão ineficiente", disse. Ele salientou que é complicado destituir aliados e indicar servidores tendo mérito como critério, apesar destas serem premissa fundamentais para o bem funcionamento de um governo. "É bem difícil colocar a meritocracia em prática, mas quero acreditar que a Dilma conseguirá fazer isso", acrescentou.
O executivo afirmou, também, que o crescimento do consumo interno é importante para a expansão da economia Brasil. "Esta é uma demanda antiga que precisava ser atendida, porém, precisa ser contrabalançada com investimentos", ponderou.