Em 11 de julho de 1973, um Boeing 707 modelo 345-C prefixo PP-VJZ da Varig, que faria o vôo 820 Rio-Paris caiu quando se preparava para aterrissar no aeroporto de Orly, em Paris, no local denominado Saulx-des-Chartreux. O acidente deixou 123 mortos.
O acidente que ocorreu a 5 quilômetros do Aeroporto de Orly, estava com 134 pessoas a bordo e pegou fogo em vôo por causa de um cigarro jogado no cesto de toalhas de um dos banheiros. O piloto teve de fazer um pouso forçado. Sobreviveram dez dos dezessete tripulantes e um dos 117 passageiros. A fumaça propagou-se a partir do banheiro criando cenas de horror. Só houve um caso de morte provocada pela queda. Todos os outros mortos foram vítimas de asfixia ou das chamas. Sobreviveram mais tripulantes porque boa parte deles se trancou na cabine de comando, mantendo-se mais isolada da fumaça.
O acidente na rota entre o Rio de Janeiro e Paris chocou o mundo. Quando faltava apenas um minuto para atingir a pista do Aeroporto de Orly, o piloto, Gilberto Araújo da Silva, fez um pouso forçado sobre uma plantação de cebolas, no vilarejo de Saulx-les-Chartreux, ao sul da capital francesa.
No desastre, minutos após o piloto avisar a torre que a cauda do avião estava pegando fogo, morreram o presidente do Senado, Filinto Muller; o cantor Agostinho dos Santos; a atriz Regina Lécrery e o tricampeão mundial de iatismo Joerg Bruder.
O vôo 820 foi tranqüilo até os instantes finais. Os passageiros, seguindo as instruções da tripulação, já estavam em seus assentos, com os cintos afivelados. Ninguém a bordo tinha percebido que um incêndio estava em curso na parte traseira do avião. Investigações oficiais posteriores concluíram que o fogo se iniciou numa cesta de lixo de um dos banheiros, provavelmente por causa de uma ponta de cigarro aceso ali deixado por um passageiro. Faltando poucos minutos para o pouso, o fundo do avião, na classe econômica, começou a ser invadido por uma fumaça densa e tóxica. Rapidamente, ela tomou conta de toda a cabine, inclusive o cockpit de comando, na parte dianteira.
Os passageiros começaram a desmaiar e o pânico atingiu a tripulação. Os pilotos não conseguiam enxergar nem mesmo o painel de instrumentos por causa da fumaça e perderam a comunicação com a torre de comando do Aeroporto de Orly. A cerca de cinco quilômetros do destino, foi tomada a decisão de fazer um pouso forçado. Depois de se arrastar por 600 metros, o Boeing estacionou. Dez dos 17 tripulantes que estavam na cabine de comando, ou perto dela, conseguiram escapar. Um dos passageiros foi retirado com vida pelos bombeiros. Como o fogo se alastrou rapidamente, acabou matando os passageiros que haviam sobrevivido à fumaça, mas estavam desmaiados em seus assentos.
O comandante Gilberto Araújo avisou à torre de comando que o avião estava em chamas e que ia fazer um pouso de emergência na plantação, para que o Boeing não caísse sobre a cidade e deixasse mais mortos. Ele disse: Já que vamos morrer, não vamos matar mais pessoas lá embaixo.
Passados 38 anos, a tragédia no vôo 820 ainda é cercada por muita polêmica. Será que os pilotos agiram corretamente ao decidir fazer um pouso de emergência? Os tripulantes não poderiam ter feito algo a mais para tentar salvar os passageiros? O material usado pela Varig no revestimento do avião teria contribuído para a intoxicação dos passageiros? O fato é que, diante das causas do acidente, autoridades do setor aeronáutico passaram em 1974 a adotar novas medidas de segurança, entre elas a proibição do fumo nos banheiros. Posteriormente, o fumo seria banido nos aviões.
Na época, o comandante Gilberto acabou ficando famoso e com imagem positiva perante a opinião pública porque, mesmo com a morte da maioria dos passageiros, ele, ao lado do subcomandante Antônio Fuzimoto, tinha evitado um desastre ainda maior, caso a queda do avião da Varig não fosse desviado. Se não fosse a perícia da dupla, o avião poderia ter caído sobre casas nos arredores de Paris.