Equipes de socorro já resgataram seis corpos de vítimas do naufrágio do navio Costa Concordia, que ocorreu na última sexta-feira (13), perto da ilha de Giglio, na costa da Itália. A embarcação levava mais de 4,2 mil pessoas, incluindo mil tripulantes, e naufragou após se chocar com uma rocha. Mais de 70 passageiros ficaram feridos e mergulhadores estão vasculhando meticulosamente as mais de 2.000 cabines do navio, em busca de cerca de 15 pessoas ainda desaparecidas.
O sexto corpo foi achado na manhã desta segunda-feira (16). Ontem, mergulhadores encontraram os corpos de dois homens em um ponto de encontro na parte submersa da embarcação. Os cadáveres estavam na parte traseira do navio, que está tombado num ângulo de quase 90 graus, segundo a Guarda Costeira. Os dois usavam coletes salvavidas.
Já os corpos de dois turistas franceses e um peruano membro da tripulação foram achados no sábado. A maioria dos ocupantes do navio eram italianos, alemães e franceses. Também havia 53 brasileiros a bordo, sendo 47 passageiros e seis tripulantes, mas nenhum deles ficou ferido.
Os passageiros compararam o desastre ao naufrágio do Titanic, no qual mais de 1.500 pessoas morreram. Houve relatos de que pessoas pularam ao mar, brigando por coletes salva-vidas, em pânico. A maioria dos sobreviventes foi levada no sábado a Porto Santo Stefano, já na porção continental da Itália, a 25 quilômetros de Giglio. Muitos deles chegaram ainda enrolados em cobertores e vários se mostraram abalados pelo que haviam enfrentado.
O capitão do navio de luxo de 114.500 toneladas, Francesco Schettino, foi preso sob a acusação de homicídio culposo, por causar o naufrágio e abandonar a embarcação. Em entrevista à TV italiana neste domingo, ele negou as acusações e disse que foi o último a deixar o navio.
Os motivos do naufrágio estão sendo investigados pela polícia italiana, como o porquê de o navio ter chegado tão próximo à costa, além das queixas amargas sobre a demora para a retirada de passageiros aterrorizados. A "caixa-preta" da embarcação, dispositivo com o registro da sua trajetória, já foi encontrada e está sendo examinada.
De acordo com o promotor Francesco Verusio, as investigações podem ir além do capitão. "Estamos investigando a possível responsabilidade de outras pessoas para a manobra perigosa", disse ao canal de TV SkyTG24. "Os sistemas de comando não funcionaram como deveriam", acrescentou.
A embarcação era operada pela empresa Costa Crociere e ostentava sete restaurantes e um enorme spa, além de bares, cinemas e discotecas. O resort flutuante havia deixado o porto de Civitavecchia na manhã de sexta-feira para um cruzeiro de uma semana pelo Mediterrâneo.
O presidente da Costa Crociere, Gianni Onorato, afirmou que o principal foco da companhia é dar assistência aos sobreviventes e levá-los de volta aos seus países. Segundo ele, é difícil determinar o que aconteceu, mas adiantou que o navio sofreu um blecaute após se chocar com a rocha. "Trabalharemos com toda a transparência com as autoridades italianas para entender as causas do desastre", garantiu. (Com agências)