A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, afirmou em seu discurso de posse que dará continuidade à gestão de José Sergio Gabrielli, que esteve à frente da companhia por oito anos. A primeira mulher no mundo a comandar uma empresa de petróleo, disse que se sente preparada para os desafios que o cargo demanda, e que vai seguir metas claras. “O plano de negócios 2011-2015 da companhia define para onde vamos e como e quando atingiremos nossas metas”, declarou.
Graça reiterou, ainda, que a Petrobras vai defender o interesse dos acionistas minoritários da companhia, ponto que, segundo analistas, está um pouco de lado e que deveria fazer parte da pauta da petroleira. A presidente da República, Dilma Rousseff, afirmou que a empresa estará em boas mãos com a administração de Graça, pois ela saberá dar segmento às conquistas que a Petrobras obteve sob regência de Gabrielli – período classificado por ela como um dos mais profícuos na existência da companhia.
“A Petrobras é estratégica dentro do Brasil, sobreviveu a todos os ventos privatistas, e hoje exerce papel fundamental em nosso modelo de desenvolvimento. Não abriremos mão de exigir conteúdo local nas encomendas da petroleira”, destacou Dilma. Segundo a presidente, a estratégia de produção de equipamentos com alto nível de nacionalização é vencedora, pois induz o desenvolvimento de diversos setores industriais no País.
“É importante destacar que isso ocorre sem prejuizo no desempenho da empresa e aos acionistas, aos quais a Petrobras deve retribuir com rentabilidade. A companhia deve investir no Brasil porque ele é sua fonte de energia e seu maior mercado”, complementou, lembrando que Brasil e Petrobras são parceiros.
Gabrielli, baiano e integrante do Partido dos Trabalhadores (PT), se despediu do cargo agradecendo à Dilma e ao ex-presidente da República Luiz Inácio da Silva pela confiança. Ele se disse triste por deixar a empresa onde aprendeu muito e conheceu boas pessoas, mas feliz pelas conquistas que obteve enquanto presidente e por deixar o cargo nas mãos de uma profissional de extrema capacidade.
Antes de fazer a troca simbólica do crachá da presidência da Petrobras, Gabrielli citou dez feitos que considerou relevantes no período, como a autosuficiência em petróleo, a expansão do investimento em refino, e a consolidação de gás e energia, diretoria antes ocupada por Graça. O ex-presidente da companhia agradeceu, ainda, o apoio do governador da Bahia, Jaques Wagner, estado para o qual deverá retornar, e onde vai exercer algum cargo estratégico na administração pública, para depois, possívelmente, se candidatar a um cargo político.