O anúncio feito pelos ministros Márcio Fortes (Cidades) e Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), após sobrevoarem as regiões mais atingidas pelos deslizamentos de terras e pelas chuvas em Angra dos Reis, causadores de 52 mortes na passagem do ano, sobre a liberação, em caráter emergencial, de R$ 80 milhões para que tenham início imediato as obras de recuperação que a tragédia ocorrida impõe não sejam proteladas, reflete o empenho das autoridades públicas em minimizar os efeitos registrados sem excluir, obviamente, a tomada de decisões e adoção de providências que logrem, isto sim, evitar no futuro a repetição de acontecimentos semelhantes, em toda a extensão das lamentáveis perdas materiais e humanas provocadas.
Eles visitaram diversos locais naquelas áreas, acompanhados do governador Sérgio Cabral, do vice-governador Luiz Fernando Pezão e de outras autoridades estaduais, encontrando-se subsequentemente com prefeitos de municípios da Baixada Fluminense também afetados pelas chuvas, para anunciar-lhes que R$ 50 milhões serão aplicados, já agora, na realocação de famílias que vivem em áreas de risco e na prevenção de enchentes.
"Estamos aqui - disse o ministro das Cidades - para apresentar soluções rápidas e imediatas". Por sua vez o governador explicou que, além do problema emergencial de atendimento aos desabrigados e de recuperação de encostas, o objetivo é adotar medidas preventivas, de modo a evitar novas tragédias:"A segunda questão se refere à prevenção, um conjunto de ações tanto para Angra quanto para a Baixada, que nós vamos apresentar ao presidente Lula nos próximos dias".
Faz-se, de fato, necessário que acima e além da comoção pública desencadeada por tais acontecimentos, em que se mesclam fatores climáticos e ambientais a se manifestarem, como se manifestam, de forma tão intensa, na tessitura de suas causas e consequências, haja uma linha de ação sistemática que assegure, sobretudo, a esta altura, a permanência de programas voltados a prevenir as tragédias, ao invés de lidar, simplesmente, ainda que isso se torne imperativo, com os efeitos delas advindos.
É nesse sentido, aliás, que em relação ao Rio afigura-se positivo, para tentar minimizar as consequências das enchentes, ainda neste verão, o investimento de R$ 10,5 milhões, anunciado pela secretaria municipal de Obras, na criação de um plano diretor para orientar as ações da prefeitura no manejo das águas fluviais. Trata-se, por sinal, do primeiro plano diretor para drenagem de águas fluviais na história da cidade, sendo previstos o cadastramento de 900km de rede de escoamento, inspeção de 1.500km de rios e galerias subterrâneas e criação de 40 estações hidrológicas, que medirão o nível das precipitações e a vazão dos rios. Pretende-se melhorar as condições de drenagem em 230 pontos vulneráveis a alagamentos, já mapeados, sabendo-se, por sinal, que só em dezembro, de acordo com o sistema de alerta meteorológico da prefeitura (Alerta-Rio), a intensidade das chuvas na capital foi três vezes maior que a média histórica registrada no período, que é de 157mm.
Isso dá a medida do alcance de uma iniciativa desse gênero, cuja implementação se requer, por certo, em nome do interesse público e da própria segurança e bem-estar da população, que importa acima de tudo salvaguardar.