JAYME MAGRASSI DE SÁ
Novo ano, novo governo ao fim de 360 dias e certamente novas políticas ao longo de uma realidade mundial comandada pela ocorrência da verdadeira hecatombe financeira de 2008. A economia mundial está mudando rápida e intensamente, por dinâmica própria, por efeitos da crise e pelos horizontes que a debacle, ao mesmo tempo, esfacelou e exponenciou. Nada ficará igual no mudo e no Brasil. Palavras ocas, as que dizem que mudanças de política atual levarão a que "se quebre a cara"; pois muito ao contrário, elas permitirão a que o Brasil se reencontre e se despeça de um passado em larga margem inibidor de soluções vitais na aplicação e desenvolvimento de suas potencialidades.
A política econômica tem que mudar, para livrar o País das cadeias impositivas do jogo conjuntural com supremacia absoluta do curto prazo financeiro. E para assimilar por completo o princípio da evolução estrutural com avanços científicos e tecnológicos sob programação capaz de ordenar o conjunto de inversões reformadoras e impulsionadoras dos setores-chave, especialmente - indústria e agricultura. Sem remendos claudicantes, como os do PAC no setor secundário e o do acúmulo sistêmico de juros e mais juros nos patrimônios seculares do setor agrícola. Sem o consciente abandono dos vetores intermediários que compõem uma exausta e insuficiente infraestrutura. Em outras palavras, sem a falência da logística que hoje sevicia o circuito produção, circulação e consumo Sem a algaravia que consubstancia o orçamento federal, empanturra capciosamente a gula permissiva de legisladores e a ser transformado em célula básica da ação promocional do Estado ao esforço coletivo de integração seccional e regional do País. Sem fazer do amparo e incentivo ao social um trágico engodo dos anseios de efetiva distribuição da renda. Sem as incursões sindicais e político-partidárias, tão insurrectas quanto dominantes, nas práticas administrativas; e, à sorrelfa, invasora privilegiada do curso de políticas aplicadas e do rico e perene caudal de indefectíveis ralos gerenciais. Sem perdas cambiais por inapetência de ações corretivas no manuseio das políticas monetária e financeira. Sem o vezo de atuação pretensamente diplomática na forma de paradisíacas turnês externas para glorificações episódicas e ostentatórias. Sem, enfim, o vazio contemplativo de uma ocupação estrutural do território, que se reflete numa carta geográfica ainda solteira de redesenhos operacionais adequáveis aos quadros e malhas de serviços básicos nas diversas regiões. Carta que expressa imensas e predatórias concentrações demográficas, já quase em fase de auto degradação à ilharga de imensos vazios de gente e de perspectiva
O País vai mudar, não na sua forma geodésica ou na sua essência física e política mas sim na sua maneira autônoma de como se vê e se analisa; de como encara os surtos de malignidade social expressos por escândalos administrativos e por defasagens espúrias de especiosos atos congressuais. Estremece sob a progressiva perda de escoras coletivas como segurança pública e saúde pública; se contorce com avassaladora favelização e com desníveis dentro do nível que condiciona a deformação do solo urbano e os relacionamentos sociais, hoje pautados pelo medo e pela angústia de todos os dias.
O Brasil de amanhã renasce agora, nesse início de um século que lhe marcará a fisionomia cotidiana como cenário duplamente mutante, isto é, na forma de viver e na busca de um futuro que sepulte a realidade de memórias vencidas na luta pela dignidade, pelo progresso e pelo direito inalienável de superar obstáculos e vencer os limites de sua natural transigência.
Mudar o País vai, e muito. Irá conviver com um calendário de fé, de crença e de realizações na rota de seus desígnios maiores; da cremação de experiências que, sob a rubrica de vigília cívica, resultaram em resíduos de um quase nada, a não ser, entrementes, grandes escores eleitoreiros e despóticas decisões de fundo pessoal imanente caracterizado pelo mando no exercício do poder público.
O velho Brasil foi-se implicitamente, deixando um lastro de experiências vivenciadas, não absorvidas algumas delas, abortadas outras. Nenhuma, porém, que levasse às raízes de um futuro para o qual deslanchará agora com decisão e ímpeto. O novo Brasil emana dessas trincheiras, caldeados e ponderados seus resultados; redimindo-se, então, de suas leniências e de uma espécie de contrito e ignoto abandono. Daí a força com que atuará na senda da auto realização.
A coluna estará acompanhando essa marcha, para recusar erros e corroborar nos acertos.
Do velho ao novo Brasil a História consagrará os passos fundamentais para orientação da presente e das futuras gerações.